quinta-feira, junho 23, 2005

Nada adianta ter o mundo diante dos olhos e não sair de dentro de si!

Miss Butterfly voou de verdade!
Saiu de casa com um casaco como se esperasse o frio do Pólo Norte. Na primeira esquina já estava arrancando tudo. Cachecol, casaco e gorro ficaram na mochila! A sensação do sol é a melhor pra adquirir boas energias! E lá se foi.
Entrou no balaio e rumou à Avenida Paulista. O roteiro cultural da nova “turista” de Sampa tinha que começar por lá! Afinal, como diz Haroldo de Campos, São Paulo é uma “executiva de saia cinza”, e a Av. Paulista tem a cara de ser por onde passeia essa “moça”.
Logo na descida do ônibus descobriu que só tinha sete reais e que tinha esquecido o cartão do banco em casa. Bem; cinema, Masp, essas coisas vão ter que ficar pra outro dia.
Saiu a caminhar e viu um monte de árvores. O miolo da Paulista. Imagina! Uma flor de pétalas cinzas e no meio, um miolo verde! Sentindo-se em casa no meio de tantas folhas correu para o interior dos portões e descobriu estar no Parque Trianon. Salve Tenente Siqueira Campos, que deve ter sido quem fez aquele espaço (porque o nome dele está lá na placa). E Salve Xangô e Oxalá! Com tantas folhas e pedras eles também devem habitar este lugar.
Um pouco de receio em adentrar nos becos de árvore tomou conta do seu ser. Alguns mendigos estavam no centro do parque. Mas e daí? Se fosse um mendigo também estaria ali!
Deixou o “temor” de lado, colocou música nos ouvidos e saiu a cantar. Um cheiro verde entrava em seus pulmões como se estivesse na Mata Atlântica. Uma sensação de ar puro. Mas só sensação, porque o barulho dos carros, ônibus e pessoas frenéticas permaneciam no lugar. Compenetrou-se no som da música e de repente deparou-se com um parque cheio de balanços. Coisa de criança! Alguns adultos e velhos lendo jornais ao seu redor. Olhou para os lados, caminhou e voltou. A espontaneidade é a melhor companhia de todas. Sentada no balanço colocou as pernas pro ar e ficou: pra lá e pra cá, pra lá e pra cá! Olhares se voltaram para ela sem conseguir intimida-la. Cantava bem alto acompanhando a fitinha que tinha na mochila: “Se você vieeeeeeer, pro que der e vieeeeeer, comigoooooooo! Eu te darei o sol, se hoje o sol saiiiiiiiiiiiirrrrrr!”. Perdeu a noção do tempo! Voando alto sentiu a liberdade, da qual tanto reclama estar distante, em um simples balanço.
Coisa boa é coisa simples! De olhos fechados ficou até cansar.
Deu um pulo e continuou seu passeio por entre as folhas. Um cantinho convidativo se abriu no meio do caminho. E justamente ali os raios do sol conseguiam transpor as folhas das árvores e esbanjavam calor. Parou para um banho de luz!
Alguns minutos depois continuou a caminhar e descobriu um trono de tronco. Bem no início de um corredor que dava lá no portão de saída pra avenida. Talvez esse trono até pertença a alguém. Mas naquele momento ela o declarou sendo seu. Miss Butterfly saiu do casulo e encontrou uma corte! Pediu licença e sentou-se onde todas as pessoas presentes ali ainda não tinham se atrevido estar (pelo menos naquele momento ele parecia bem intimidante). Sentindo-se uma princesa, ficou a observar o caminho que estava à sua frente. No final, portão aberto para a cidade. Saudade do mato! Vontade de ficar ali... Do outro lado descobriu um outro trono! “Êta que esse terreiro é reino de muita gente!”. Que bom! Já este outro, estava embaixo de um poste-coqueiro. Enorme! Com musgo verde até a metade do tronco, era mesmo prazeroso de se ver. E a luz do sol saindo por entre as folhas.
Tinham muitas árvores por ali. Algumas delas bem importantes, porque possuem placas com seus nomes. No mundo dos homens é assim, quando tem placa com nome é porque fez algo de nobre (dizem). Um Jequitibá (Cariniana estrellensis), que a fez lembrar uma amiga Carina! Tão grande e tão lindo! Chegou bem perto pra sentir seu cheiro e tentou abraça-lo, mas seus braços ficaram curtos. Outra que tinha nome era a Paineira. Também bem bonita!
Sorridente até as orelhas saiu caminhando do parque que considerou ter sido a melhor descoberta do dia! Já sabe para onde voar quando precisar de ar!
Passou pela porta do MASP (Museu de Arte de São Paulo) e saldou Assis Chateaubriand! Um cartaz enorme descia das paredes do prédio com uma pintura bonita de uma baiana! Opa! Gostou demais daquilo. Atravessou a rua e foi ver o valor ($). Super em conta! Só que só abre amanhã! Demorou! A exposição será de Ademir Martins. Parece ser interessante.
(Daremos notícia da visita!).
Passos lentos, sem compromissos com o tempo levaram-na até a Casa das Rosas. Já conhecia o lugar, mas queria sentir o cheiro das flores. Poucas, na verdade. Não é a época certa para ter jardins floridos. Então, resolveu entrar na casa que a fez sentir a muitos séculos atrás de si. Sem precisão de data daquela construção, subiu as escadas que tinha uma janela linda de vidros pintados. Viu dois banheiros. O primeiro era todo verde. Enorme! Com espelhos grandes, pia e bidê antigos e uma banheira super charmosa! Parecia filme. Passou pela varanda achando muito estranho o passado e o presente, um ao lado do outro, separados apenas pelos portões do casarão. Mas gostou. Voltou para dentro e surgiu o outro banheiro. Todo rosa. No mesmo estilo do outro, mas rosa! Sorriu para o gentil moço que mantém o lugar limpo e se foi.
Para terminar uma tarde de sensações boas Butterfly entrou no Itaú Cultural. No segundo andar viu uma exposição de Pinhole (* algumas palavras sobre esta técnica fotográfica em outro tópico). Fotos do Rio de Janeiro.Uma leitura bem poética da fotógrafa Fátima Roque. Muito lindo. E fez uma outra descoberta que foi capaz de faze-la saltitar:
O Itaú Cultural tem um acervo de documentários brasileiros à disposição do público. Para ver lá e levar para casa também.
Encontrou um tesouro! Uma forma de se entregar ao mundo sem ter que ir muito longe!
Voltou para casa sentindo-se a princesa da corte mais bela e vendo a saia da "empresária" de Haroldo de Campos muito mais colorida do que cinza!

Um comentário:

mlle. bragattô disse...

leveza.
com aquela sensação de que se pode ser feliz em pequenos detalhes.
no novo e no velho.
e a impressão de que é mais livre, mais você mesma, mais mulher.

beijinhos.